Para pensar melhor

Crédito, dívidas, empréstimos, programação para a aposentadoria... Estes e outros temas são abordados nos artigos de especialistas na área.

  • O exercício de fazer boas escolhas

    O despertador toca duas horas antes do horário de costume. Ainda tonto de sono, você tenta entender o que está acontecendo e lembra que se matriculou em uma academia para, finalmente, iniciar o tão necessário (e há muito tempo protelado) programa de exercícios físicos.

    Uma parte do seu cérebro procura convencê-lo a virar de lado e continuar dormindo. Outra parte busca incentivá-lo a sair da cama. Quem vai vencer?

    Muitas das escolhas que fazemos a cada dia seguem este mesmo enredo: um sacrifício no presente em troca de um benefício futuro. Em um estudo clássico da Universidade de Stanford, o pesquisador Walter Mischel oferecia a crianças uma escolha: comer um marshmallow que estava ao alcance das mãos ou esperar 15 minutos e comer dois marshmallows.

    Posteriormente, acompanhando estas crianças, Mischel descobriu que aquelas que tinham esperado para comer mais marshmallows aumentavam em muito suas chances de sucesso na vida adulta. Mas o que leva algumas crianças a terem mais paciência ou a lidar melhor com frustrações do que outras? Será que isso é inato ou pode ser treinado ao longo da vida? É possível desenvolver o autocontrole em adultos?

    Dois pesquisadores da Universidade Macquarie, na Austrália, deram recentemente um importante passo para responder estas perguntas. Colocaram uma série de adultos em um programa de exercícios físicos. Dois meses depois descobriram que o autocontrole necessário para cumprir aquelas atividades tinha se disseminado para várias outras esferas da vida dos voluntários. Os pesquisadores não haviam citado outras restrições, mas perceberam que quanto mais tempo as pessoas ficavam na academia, menos cigarros e álcool consumiam, mais horas dedicavam aos estudos e menos horas passavam assistindo à televisão.

    Em um novo experimento, convidaram 29 pessoas para executar um programa de gerenciamento financeiro. Assim como o grupo do exercício, essas pessoas que se propuseram a anotar os gastos diariamente também passaram a beber menos álcool, fumar menos, melhoraram a alimentação, fizeram mais atividades e ficaram mais produtivas na escola e no trabalho.

    Em um terceiro estudo, inscreveram 45 estudantes em um programa de melhoria acadêmica focado somente em criar hábitos de estudo. O resultado se confirmou: os voluntários mudaram para melhor em vários aspectos de suas vidas.

    Jurandir Macedo

  • Teste 4x4: Qual o melhor credito para mim

    Ter crédito é sempre uma boa: seja para antecipar um sonho ou resolver um problema de última hora. Mas, com tantas opções de escolha, muitas vezes não é tão fácil saber se o crédito que você escolheu é mesmo o ideal para seu objetivo. Será que devo comprar no crediário da loja ou pagar com cartão de crédito? Faço um financiamento do carro ou entro em um consórcio? Peço um empréstimo pessoal ou uso o LIS? São algumas das dúvidas que podem surgir.

    Para ajudá-lo com essa tarefa, selecionamos quatro dicas:

    - Antes de usar cartão de crédito, fazer um financiamento ou pedir um empréstimo, pergunte-se: preciso mesmo desse produto ou serviço? Se ficar na dúvida, adie a compra por alguns dias.

    - O cheque especial ou LIS serve para resolver uma emergência quando você não tem investimentos – e por pouco tempo. Precisou dessa solução? Então não se esqueça de cobrir a conta em seguida. Se você não tiver dinheiro para cobrir o saldo devedor, opte por um crédito consignado ou empréstimo pessoal, com taxas mais baixas. O próximo passo é rever os gastos.

    - O orçamento organizado é um aliado na hora de tomar decisões e ajuda a usar o crédito de forma adequada. Ter as contas em dia, conhecer suas receitas e planejar os gastos são três atitudes que farão toda diferença na hora de usar o crédito.

    - O cartão de crédito é excelente meio de pagamento, fácil de usar e seguro. Mas não se esqueça de quitar o valor total da fatura. Que tal estabelecer um limite de gastos por mês e ir anotando cada despesa?

    Já o crédito para realizar um sonho, viajar, adquirir um carro ou imóvel exige um comprometimento maior – ou seja, mais planejamento. Antes de contratar, reflita e responda as quatro perguntas do nosso teste:

    Teste do crédito consciente

    Sei exatamente para que o dinheiro será usado?

    ( ) Sim! ( ) Ainda não, mas depois eu penso.

    Fiz as simulações com modalidades de crédito diferentes?

    ( ) Sim! ( ) Precisa mesmo?

    Pesquisei as taxas de juros e as tarifas cobradas?

    ( ) Sim! ( ) Ainda não.

    Já sei quanto vou pagar por mês e a prestação coube no orçamento?

    ( ) Está tudo na ponta do lápis! ( ) Bem, mais ou menos... Mas depois dou um jeito.

    Se você respondeu a segunda alternativa em alguma das questões, cuidado. É bom refletir mais um pouco antes de comprometer seu crédito.

    Já se você respondeu a primeira alternativa em todas as questões, parabéns! Passou no teste do crédito consciente. Agora é contratar o crédito, usar o dinheiro para a finalidade que escolheu e pagar as prestações na data certa.

    Afinal, o crédito bom é aquele adequado aos seus objetivos e ao seu momento de vida, aquele que vai ajudá-lo a resolver alguma situação ou a antecipar um sonho!

    Jurandir Macedo

  • Do vermelho para o azul

    Como acertar suas finanças de uma vez por todas.

    Todo mundo tem seus momentos difíceis. Às vezes, a causa é o dinheiro, que parece sumir enquanto as dívidas aumentam. Na hora do aperto, até bate um sentimento de culpa – por ganhar pouco, por gastar demais, por não satisfazer os desejos da família e assim por diante.

    Mas ninguém deixa de pagar o que deve porque quer. Dívidas e contas atrasadas devem ser vistas como o que realmente são: consequências de imprevistos ou de um descontrole. Virar o jogo é sempre possível! Só depende de você.

    Uma das formas de evitar que a situação se complique é conhecer bem os sinais de alerta – e cuidar para não cair nessas armadilhas. Observe suas finanças e faça um teste:

    • Você vem pagando o valor mínimo da fatura do cartão de crédito há três meses ou mais?

    • Entrou no limite do cheque especial pelo terceiro mês seguido?

    • Usa mais de um terço do que ganha para pagar prestações?

    • Tem atrasado com frequência o pagamento de contas por falta de dinheiro na data do vencimento?

    Se você respondeu “sim” a pelo menos uma pergunta, é hora de começar a agir. Para melhorar sua condição financeira, comece reduzindo gastos. Assim, você ganha fôlego para pagar dívidas e reorganizar o orçamento. O que é essencial para você? Despesas como aluguel, alimentação e escola são fundamentais. Já os extras devem ser reduzidos ou cortados por um tempo, até que a situação melhore.

    Outra atitude importante é descobrir o tamanho da dívida. Liste os valores e as taxas de juros de empréstimos, contas atrasadas, prestações, cheques pré-datados devolvidos, dívidas no cartão de crédito e no cheque especial. Destinando todas as economias e cortes do orçamento para pagar as dívidas, qual o tempo necessário para zerar todos os débitos? Para responder, considere as reduções de gastos que conseguirá fazer, os eventuais ganhos extras e quanto caberá de pagamento de dívidas mês a mês.

    Nesse período, cuidado com novas dívidas – só vale assumir novos compromissos se eles tiverem juros menores e servirem para quitar os débitos com juros mais altos. Também fuja das soluções aparentemente mágicas do crédito informal. Cheque a possibilidade de um crédito consignado, mas se optar por um novo crédito, quite o que deve e reorganize o orçamento para evitar novos problemas mais tarde.

    Uma vez que as contas estiverem no azul, mantenha o controle do orçamento e procure destinar as economias para uma reserva de emergência, com cerca de três vezes o valor de seus gastos mensais.

    Ela será a garantia que o vermelho e as preocupações vão ficar bem longe.

    Quer saber mais sobre como sair do vermelho? Acesse nosso site: www.itau.com.br/usoconsciente.

    Jurandir Macedo

  • Família unindo forças para jogar como um time

    Um bom time é muito mais que vários craques jogando juntos. Um bom time é, antes de tudo, uma equipe que tem objetivos em comum. Um bom treinador é aquele que une todos os jogadores em torno desses objetivos. Funciona no mundo dos esportes, nas empresas e também em uma família.

    Muitas famílias não jogam como um time. Algumas vezes compartilham a casa, ou mesmo um orçamento, mas não compartilham projetos ou sonhos. Um time desunido tem dificuldade de ganhar um jogo e em obter uma boa classificação no campeonato e o mesmo vale para uma família que está nessa situação.

    Assim como jogadores querem fazer parte de um time afinado, pais e filhos querem participar de uma família que compartilhe objetivos, na qual cada membro possa dar o máximo de si em função do grupo e possa obter apoio desse grupo para expressar todos os seus talentos. Não é uma tarefa fácil, mas vale tentar.

    Em muitas famílias, a falta de tempo e a pouca convivência fazem com que cada um passe a cuidar da própria vida. Muitas vezes não temos sequer tempo para saber o que se passa com os outros, o que dirá tempo para compartilhar objetivos.

    Se você já vive em uma família que joga junto e conquista projetos em comum, parabéns! Se este ainda não é seu caso, confira algumas dicas que podem ajudar a chegar lá:

    • O primeiro passo para virar o jogo é conversar. Muitas famílias só conversam quando tem uma crise. Mas esta conversa acaba virando uma guerra, em que cada um tenta defender seu território e atacar as posições adversárias. Se você esperar uma crise para conversar, dificilmente conseguirá evitar esse roteiro.

    • A deixa ideal para começar uma conversa é a busca por um objetivo em comum. Pode ser algo simples, como uma viagem de final de semana ou comprar um novo eletrodoméstico que melhore a vida de todos. O ideal é não chegar com a ideia pronta, mas levantar a pergunta e estar preparado para ouvir as opiniões de todos.

    • Encontrado o objetivo, fica mais fácil conversar e pedir a colaboração da família. Alcançar um objetivo incentiva outras conquistas, que por sua vez ajudam a criar o hábito da conversa. Logo será o momento de perseguir objetivos ainda maiores.

    Unir a família em torno de objetivos em comum resulta em muito mais do que simples conquistas materiais. Uma família que conversa e joga junto transforma o ambiente em que os filhos serão criados e fortalece os laços afetivos. Encontrar formas de reunir a família para conversar pode dar trabalho, afinal são opiniões e estilos diferentes que precisam ser respeitados. As nossas vontades não são sempre as mesmas e os horários muitas vezes não coincidem, mas os benefícios dessa prática são enormes. É uma forma de criar oportunidades acolhedoras e permitir a todos expressar o melhor de si em proveito próprio e do grupo.

    Pessoas que crescem acostumadas a debater e realizar projetos em família têm muito mais chances de repetir esse comportamento saudável na escola, no trabalho e em toda sociedade. Que tal arregaçar as mangas e mudar o jogo? O treinador da sua equipe em casa pode ser você!

    Jurandir Macedo

  • Falar de dinheiro é tabu?

    Em conversas com amigos, em casa ou em um happy hour, costumamos compartilhar diversos assuntos. Mas ficamos constrangidos se surge alguma conversa sobre as finanças, seja planejamento financeiro, dívidas ou investimentos. Por que será?

    Pesquisas já apontaram que nós, brasileiros, em geral não gostamos muito da ideia de acumular dinheiro, nem guardar, poupar ou investir. Nós geralmente consideramos que o dinheiro só é bom se ele for fruto do trabalho. Se alguém ganha dinheiro investindo, parece não ser merecido quanto o que se recebe pelo trabalho feito. Ou seja, para nós o dinheiro precisa ser resultado do nosso suor. Podemos até conversar sobre como nos dedicamos para ganhar dinheiro, mas evitamos a todo custo falar das nossas dificuldades ou do nosso sucesso como gestor do dinheiro. E por evitar o assunto, deixamos de aprender com os acertos e com os erros dos outros.

    Os tabus, em geral, representam uma restrição. Costumam surgir pela tradição cultural e evoluem de acordo com a história de cada comunidade. Alguns hábitos que são muito comuns hoje já foram considerados bastante estranhos quando do seu surgimento. É o caso da escovação de dentes, por exemplo.

    Embora a preocupação com a boca e os dentes apareça como um dos mais antigos cuidados de higiene pessoal em diversas culturas, escovar os dentes após cada refeição era algo fora do comum no Brasil até a década de 1950.

    É possível que o hábito de anotar os gastos e planejar o orçamento venha a ser um dia tão natural quanto escovar os dentes. Mas essa realidade ficará cada vez mais distante se não começarmos desde já a conversar sobre dinheiro com tranquilidade.

    Incluir esse tema nas conversas com os amigos e em casa é um bom começo. Vale trocar ideias a respeito de ferramentas que ajudam a lidar melhor com o dinheiro e bons hábitos de poupança. Com a família, começar o planejamento de um sonho em comum e estabelecer metas para realizá-lo é uma excelente oportunidade para fazer com que os filhos tenham uma impressão positiva sobre o dinheiro. A quebra desse tabu depende de cada um de nós.

    Jurandir Macedo

  • Família: cinco passos para a educação financeira

    Há poucos meses vimos como transformar nossa família em um verdadeiro time. Como anda sua equipe familiar? Unida e pronta para aceitar novos desafios? No dia a dia há muitos deles para testar a coragem e a resistência de qualquer equipe familiar: o preparo das refeições, a divisão das tarefas de limpeza da casa e a organização do transporte da família são algumas delas.

    Para acertar detalhes como esses, é preciso muita conversa. E quando o tema é a organização financeira, funciona do mesmo jeito. Mas um cuidado é necessário na hora de falar sobre dinheiro em casa: para puxar esse assunto, o contexto tem que ser positivo. Sabe por quê? É que, se sempre que o assunto vem à tona o clima ficar tenso, os filhos crescerão associando dinheiro a brigas. E não precisa ser assim. Confira cinco dicas que podem ajudar sua equipe a ter sucesso também nesse quesito:

    1. A partir dos dois anos a criança já começa a compreender o significado de comprar e percebe o dinheiro como um meio para obter o que ela deseja. Não precisa esperar muito, então, para inserir os pequenos em tarefas como a ida à feira e ao supermercado.

    2. Antes de ir às compras com as crianças, transforme a elaboração da lista em uma grande brincadeira: quem sabe o que está faltando na geladeira e nos armários? A lição que eles irão tirar, na prática, é que toda compra precisa ser planejada.

    3. Por volta dos 5 anos, a criança consegue entender as relações de valor entre moedas e cédulas. Que tal pedi-la para conferir o troco da padaria? Ou contar as moedas antes de comprar o doce? O aprendizado certamente será ainda mais divertido.

    4. O comportamento dos adultos vale mais que mil palavras. Portanto, mantenha o hábito de anotar os gastos e peça que o filho faça o mesmo com a mesada que ele ganhar. A partir dos 6 anos a criança já é capaz de começar a cuidar do próprio dinheiro. Se puder, dê uma pequena semanada e explique quais gastos devem sair dali – por exemplo, o lanche da escola.

    5. O hábito da poupança também pode ser ensinado a partir da mesada. Incentive a criança a guardar dinheiro para realizar pequenos sonhos de consumo. Deixe que parta dela a escolha do presente.

    A cada pequena lição, como essas, sua equipe ficará mais próxima de atingir um grande objetivo: um futuro mais tranquilo para toda a família.

    Finalmente, lembre-se que é na sua casa que seus filhos aprendem a lidar com o dinheiro. Assim, mesmo que você tenha folgas no orçamento, tome muito cuidado para não educá-los em um ambiente de desperdício e descontrole, pois crianças que encaram o dinheiro dessa forma têm mais dificuldades de se tornarem adultos autônomos.

    Jurandir Macedo

  • Como formar e fortalecer a força de vontade

    Resistir ao consumo de alimentos calóricos e a compras por impulso, praticar atividades físicas e estudar com regularidade são apenas alguns comportamentos que exigem esforço e dedicação diários. Será que essas condutas podem ser aprendidas desde cedo? Os pais são capazes de ensinar tudo isso a seus filhos? Quem não aprendeu a controlar os próprios impulsos quando criança consegue fazê-lo depois de adulto? Durante décadas cientistas tentaram encontrar evidências no comportamento humano que respondessem essas questões.

    Walter Mischel, da Universidade de Columbia, em Nova York, observou suas filhas adquirirem a capacidade de esperar por uma gratificação imediata, como um presente, por volta dos quatro anos. Na prática, significou o fim de crises de choro em lojas de brinquedos e supermercados.

    Como não havia estudos na época que relacionassem a educação recebida na infância com a capacidade de autocontrole dos filhos, o psicólogo inventou o teste do marshmallow. O doce era colocado em frente às crianças e aquelas que resistissem por 15 minutos à tentação de comê-lo, ganhariam outro.

    As reações foram as mais inusitadas possíveis e o resultado, compatível com que Mischel observou no comportamento das filhas. O pesquisador acompanhou as crianças ao longo da vida. Aquelas que aos quatro anos conseguiram esperar para ganhar o segundo doce obtiveram notas maiores nos testes finais do ensino médio (o Enem americano), maior taxa de acesso à universidade e melhor desempenho acadêmico.

    Na idade adulta, essas mesmas crianças apresentaram menor incidência de tabagismo e abuso de drogas e menos problemas familiares. O teste não explicava, no entanto, como adultos com problemas financeiros, pessoas com sobrepeso ou adolescentes com baixo desempenho escolar conseguem abandonar velhos hábitos e mudar seus estilos vida.

    O teste do marshmallow mostrou que ao sermos estimulados desde a infância, desenvolvemos mais cedo a capacidade de vencer essa batalha. Quando aumentamos nossa capacidade de concentração, melhoramos nossa competência cognitiva e a força para resistir a comportamentos que gostaríamos de evitar.

    Mas manter uma vida equilibrada, infelizmente, não é tão simples quanto andar de bicicleta. O autocontrole não é uma capacidade que desenvolvemos um dia e que seguirá conosco para o resto da vida, precisamos exercitá-lo diariamente.

    Estudos apresentados no livro “O poder do hábito”, do jornalista do New York Times Charles Duhigg, têm conclusões bastante positivas para muitos de nós que, mesmo depois de adultos, temos dificuldade em esperar para ganhar o “segundo marshmallow”. Todos nós podemos exercitar o músculo da força de vontade.

    Os cientistas envolvidos em pesquisas que tentam decifrar o segredo por trás da força de vontade acreditam que, quando nos forçamos a mudar velhos hábitos e aprendemos a controlar nossos impulsos, conseguimos melhorar nosso comportamento frente a diversos aspectos da vida ao mesmo tempo: tanto no trabalho, quanto nas finanças e na saúde. É um jogo de ganha-ganha.

    Segundo Duhigg, o primeiro passo para mudar um hábito é identificá-lo e, depois, tentar entender o que leva ao hábito. Ele usa um exemplo próprio: a cada dia ele levantava da mesa de trabalho e ia até a cafeteria. Tomava um café e comia um cookie. Assim, vinha ganhando um peso indesejado. Depois de refletir sobre seu hábito, descobriu que o que ele queria era uma pausa no trabalho e a ida à cafeteria poderia ser substituída por alguns minutos conversando com algum amigo, sem o consumo de calorias extras.

    Mas se alguns hábitos podem não ser positivos, há outros que nos ajudam muito. Todas aquelas pessoas que conseguem vencer as difíceis primeiras semanas de uma academia acabam criando uma necessidade pelo exercício. O que inicialmente era uma dificuldade se torna um prazer. Nas nossas finanças, um hábito muito positivo é anotar os gastos e depois passá-los para uma planilha. Assim podemos perceber quais gastos de fato melhoram nossas vidas e quais são desperdícios. Que tal inserir bons hábitos na sua vida?

    Jurandir Macedo

  • Jacaré, o inimigo da previdência

    Pesquisas recentes apontam que a maioria das pessoas se preocupa com o futuro, mas não se prepara adequadamente para a aposentadoria.

    As principais justificativas são a desorganização e a falta de disciplina. Mas a verdadeira explicação para esse fato pode estar dentro de nossas cabeças.

    Segundo os princípios econômicos neoclássicos, sempre preferimos consumir hoje a consumir no futuro. Como o futuro é incerto e podemos não sobreviver até ele chegar, a lógica é consumir antes tudo o que for possível. Só três situações são capazes de nos fazer postergar o consumo: a impossibilidade de consumo presente, o medo de não ter o que consumir no futuro (precaução) ou a possibilidade de multiplicar o consumo com o tempo (juros e lucros).

    Se já estamos com a fome totalmente saciada, iremos preferir um bom bife amanhã, e não hoje. Quando uma recessão se avizinha, o medo de perder o emprego pode nos fazer poupar. Também poupamos por medo de ficar sem recursos na velhice. Caso acreditemos na possibilidade de ter no futuro mais do que temos hoje, devido aos juros ou lucros, também podemos decidir esperar pelo prêmio maior.

    Agimos assim devido à complexidade do nosso cérebro que pode ser dividido em três grandes sistemas.

    O primeiro, que herdamos dos répteis, controla nossas funções vitais e instintivas e busca sempre o prazer imediato. O segundo é o sistema límbico, que controla as emoções e está presente em todos os mamíferos.

    Quando um vendedor da loja de roupas oferece uma camisa de fio egípcio, dizendo que “o senhor trabalha tanto, por isso merece uma camisa como esta”, pode ser que você tenha vontade de comprar – mesmo não tendo a menor ideia do que seja algodão egípcio – apenas por influência do seu sistema afetivo. Já o terceiro, o sistema cortical, e particularmente o córtex pré-frontal, é exclusivo da espécie humana.

    Ele controla os pensamentos abstratos, analisa o passado e projeta o futuro.

    O cérebro de répteis como o jacaré, que ainda existe no interior do nosso, não consegue compreender o futuro.

    Só compreende o agora. Deseja para já o menor esforço e o maior prazer. Como esse sistema é mais simples, ele também processa nossas decisões com muito mais rapidez. Um exemplo está nas academias de ginástica.

    O córtex sabe que exercícios beneficiam a saúde, mas uma vez que você comece a suar, o jacaré procura fazer de tudo para voltar a ficar parado, vendo o tempo passar.

    Para fazer um bom plano de previdência, você precisa entender como seu cérebro funciona e se proteger das próprias decisões. O jacaré pode ser forte, mas ele não pode assumir o controle da sua vida. Se o seu córtex compreende que precisa poupar para o futuro, tome a sábia decisão de contratar (ou manter) um plano de previdência para enganar o jacaré.

    Jurandir Sell Macedo é consultor exclusivo do programa Uso Consciente do Dinheiro do Itaú Unibanco, doutor em Finanças Comportamentais com pós-doutorado em Psicologia Cognitiva e professor da Universidade Federal de Santa Catarina.

  • A aposentadoria e o sapo escaldado

    Conta a parábola que, se tirarmos um sapo de uma lagoa e o colocarmos em uma panela com água fervente, ele fará o possível para sair de lá rapidamente.

    Mas se colocarmos a água da lagoa na panela e formos aquecendo-a lentamente, o sapo vai acabar morrendo escaldado.

    Em nosso dia a dia muitas vezes nos comportamos como o sapo da parábola. Frente a mudanças que em princípio não incomodam, relaxamos como o sapo na água morna.

    Quando nos damos conta de que a situação é insuportável, já não temos energia para reagir e acaba sendo tarde demais.

    Uma situação em que tendemos a nos comportar como sapos é na preparação para a aposentadoria. Postergamos o momento de começar a nos preparar porque a idade chega aos poucos.

    Todo mundo sabe que vai envelhecer, que vai precisar de dinheiro nessa fase e que a melhor forma de ter este dinheiro é começando a se preparar cedo. Mas são poucos os que, de fato, lançam-se a esta tarefa na idade e na intensidade adequadas.

    Quem começa a poupar ou, melhor ainda, adere a um plano de aposentadoria assim que recebe o primeiro salário, precisa guardar uma parcela pequena da renda para se aposentar de forma tranquila.

    Quem deixa essa fase passar e não se prepara percebe alguns anos mais tarde os primeiros sinais de desconforto, mas nada que assuste. E o começo vai sendo postergado.

    Aqueles que efetivamente aderem a um plano de aposentadoria tendem a contribuir com uma parcela menor do que a recomendada – até porque, com filhos e família constituída, as despesas nessa fase são grandes.

    Se começamos a poupar tarde ou poupamos pouco no início da vida produtiva, há duas saídas: retardar ao máximo o momento de nos aposentarmos ou poupar muito quando estamos próximos da aposentadoria – e às vezes é preciso fazer as duas coisas. É evidente que quanto mais cedo começamos a nos preparar para a aposentadoria mais fácil é o caminho, mas se você acredita que não se preparou adequadamente, não adianta ficar se lamentando.

    Se você acha que não contribuiu até agora com um percentual adequado dos seus rendimentos, é preciso juntar todas as suas forças, buscar o apoio da família e empreender um esforço concentrado para chegar à aposentadoria em melhores condições. E quanto mais alguém espera, mais se aproxima da situação do sapo que não consegue reagir ao aquecimento da água.

    Com perseverança e união familiar é possível fazer um significativo esforço, mesmo que tardio, para conquistar uma aposentadoria mais tranquila, sem depender da ajuda dos filhos para se sustentar.

    Jurandir Sell Macedo

  • Qual o peso do seu patrimônio?

    Quem poupa e investe com objetivo de se aposentar, e mesmo quem já parou de trabalhar e hoje usufrui do patrimônio, precisa seguir uma das mais conhecidas máximas do mercado financeiro: não coloque todos os ovos na mesma cesta. A diversificação é defendida por muitos especialistas. E não é à toa. Ela funciona não só como forma de reduzir o risco de perder dinheiro, mas também – acredite –aumenta o retorno esperado dos investimentos. Isso significa fazer seu dinheiro trabalhar mais (e melhor) para que você possa trabalhar por menos tempo e se aposentar com segurança.

    Mas o que se observa na realidade é algo oposto. Muitas pessoas que estão próximas da aposentadoria concentram o patrimônio em um único tipo de investimento, em geral os imóveis. Buscam segurança. Mas será que é isso mesmo que os imóveis oferecem?

    Muitos ficam anos tentando vender um imóvel por um determinado preço sem encontrar comprador. Pensam que aquele é o preço justo e se recusam a reduzir o valor de venda. Esquecem que preço é aquilo que o mercado quer pagar, e pronto. A liquidez é que faz variar o preço das ações, dos títulos públicos, e, por conseguinte, dos fundos de investimentos. É a falta de liquidez que cria a impressão de que o preço dos imóveis não varia.

    Nossa cultura de comprar imóveis para alugar fazia todo sentido quando a economia brasileira e o sistema financeiro viviam cheios de sobressaltos. Atualmente é muito mais interessante ter um patrimônio vinculado a um bom plano de previdência privada ou em ações do que em uma carteira composta só por imóveis. Para diversificar um portfólio de forma eficiente, é preciso procurar ativos que não sejam perfeitamente correlacionados, ou seja, que não reajam da mesma forma aos acontecimentos do mercado – algo que os bons planos de previdência fazem com propriedade.

    Pense nos longos anos que você passou acumulando patrimônio com o objetivo de ter a máxima segurança possível no futuro. Não deixe que, justo na época em que você deveria aproveitar mais a vida, seu patrimônio acabe se tornando uma fonte de insegurança. Uma vida equilibrada financeiramente e um bom plano de previdência privada são a melhor forma de aproveitar a aposentadoria com tranquilidade.

    Jurandir Sell Macedo

  • Profissão: aposentado

    Recentemente pedi que 132 alunos de diversos cursos da Universidade Federal de Santa Catarina traçassem planos para suas vidas. De cada dez deles, oito afirmam querer parar de trabalhar dentro de 30 anos, ou seja, quando estiverem na faixa dos 50.

    Existe um claro descompasso entre o que imaginam os jovens e o que querem aqueles que de fato se aposentam. Enquanto que para os primeiros aposentadoria é sinônimo de "férias eternas", para muitos aposentados esta é apenas a hora de reduzir o ritmo de trabalho, mas não de pendurar as chuteiras.

    Tanto profissionais com bagagem diferenciada quanto aqueles que trabalharam ao longo de toda a vida produtiva em um só local, acumulando experiência e know-how, estão sendo cada vez mais valorizados. Uma pesquisa feita pela consultoria de recursos humanos Hays aponta que 20% das empresas contratam profissionais aposentados. Dada a escassez de mão de obra especializada em uma economia de alta demanda, essa experiência costuma ser disputada inclusive entre empresas concorrentes.

    E se a ideia é explorar outras áreas com o conhecimento que você já tem, algumas carreiras podem ser ideais, como as de consultor, tutor ou freelancer. É o que vem fazendo a “geração baby boomers”, formada por quem nasceu após a Segunda Guerra Mundial, que começa agora a se aposentar. Muitas dessas pessoas têm preferido continuar na ativa em vez de aproveitar o merecido descanso. Nos Estados Unidos, apenas 18% permanecem no mercado porque precisam do dinheiro. Ou seja, a maioria decide continuar trabalhando por opção.

    São muitas também as alternativas para quem quer continuar contribuindo com a sociedade, sem necessariamente ser remunerado por isso. Muitos professores aposentados, por exemplo, escolhem continuar dando aulas voluntariamente. Em outros países, há universidades que mantêm espaços voltados exclusivamente para o trabalho desses mestres que já encerraram seus anos de contribuição, mas seguem com muita disposição e conteúdo para passar aos estudantes.

    Aqueles que se preveniram e pouparam para estabelecer um patrimônio confortável e parar de trabalhar precisam pensar no que fazer nessa nova etapa. Quem foi produtivo durante toda uma vida dificilmente irá se acostumar a viver de outra forma de uma hora pra outra. O ideal – e o que vem se tornando cada vez mais comum – é uma mudança de foco na carreira e uma gradual diminuição de ritmo.

    Se você ainda não começou, inicie agora mesmo o planejamento de uma aposentadoria proveitosa e, acima de tudo, produtiva. Lembre-se que, ao chegar lá, é provável que você se depare com uma vida inteira pela frente. Já se você pensa que alguém com 60 anos é um velho e que aposentado é quem passa seus dias em uma cadeira de balanço, é hora de rever seus conceitos.

    Jurandir Sell Macedo

  • As mudanças nos juros e o planejamento para a aposentadoria

    A queda da taxa básica de juros tornou o crédito mais acessível e facilitou a tomada de empréstimos. Melhor para quem precisa refinanciar dívidas antigas, quer adquirir um carro novo, comprar uma casa, pensa em investir para aumentar a produção ou pretende começar um negócio próprio. Mas como fica o planejamento para a aposentadoria nesse novo cenário?

    A Selic, taxa de juros básica da economia, chegou este ano ao menor patamar da história: 7,5%. Isto afeta diretamente a caderneta de poupança, já que, com a Medida Provisória 567, de 4 de maio de 2012, a remuneração do principal investimento de boa parte da população passou a ser equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR).

    Dentro dessa nova realidade, as aplicações de baixo risco, como títulos públicos pós-fixados, fundos DI e caderneta de poupança, passam a render entre 1% e 2% descontada a inflação. Uma mudança e tanto para um país que conviveu nos últimos 18 anos com taxas anuais de juros reais de dois dígitos.

    O investidor agora precisa rever a expectativa de rentabilidade dos investimentos para a aposentadoria. É necessário recalcular os ganhos e rever a estratégia, já que vai ficar cada vez mais difícil ganhar dinheiro no longo prazo sem correr riscos. Vamos ver a seguir as opções para quem está mais distante da aposentadoria e como ficam as finanças de quem já se aposentou.

    Tenho tempo

    Se você vê pela frente um prazo mais longo até a aposentadoria, essa é a hora de fazer um esforço adicional e aumentar as contribuições mensais para seu fundo de previdência. A recomendação é assumir mais riscos que devem ser proporcionais ao tempo que falta para a aposentadoria – quanto mais próximo da data, menor o risco. Antes é importante conhecer seu perfil de investidor e, portanto, sua tolerância a riscos.

    Geralmente os investimentos em renda variável são recomendados para prazos mais longos e para investidores com mais tolerância às variações de preço dos títulos. Além da bolsa de valores, outras opções são fundos de ações, fundos imobiliários e fundos multimercado. Se a escolha for feita com critério e de forma diversificada, é possível ter retorno maior do que o obtido apenas na renda fixa.

    Outra recomendação é fazer revisões dos investimentos de tempos em tempos. O novo cenário demanda uma postura mais proativa do investidor. Se antes bastava ao brasileiro investir e checar a carteira a cada cinco, dez anos, agora quem quer uma aposentadoria confortável precisa estar mais atento ao rendimento da carteira, como já acontecia no restante do mundo.

    Estou próximo da aposentadoria ou já me aposentei

    Se você se aproxima da data prevista para a aposentadoria e contava com juro real mensal de 0,6%, agora vai se deparar com juros de 0,2% a 0,3% ao mês. A saída nesse caso é fazeruma avaliação do seu estilo de vida. Reflita sobre seus gastos. Avalie quais são essenciais e quais não agregam em qualidade de vida e podem ser cortados. Tente cortar gastos para fazerdepósitos maiores com o que você conseguir poupar. Caso não seja possível, uma alternativa é continuar trabalhando por mais algum tempo.

    Para quem já está aposentado, o controle dos gastos é ainda mais importante. Evitar desperdícios e reavaliar o estilo de vida o ajudarão a alcançar o equilíbrio financeiro diante da redução de receitas. Muitos aposentados continuam vivendo em casas bem maiores que sua necessidade, apenas porque estão acostumados àquela situação. Nessa hora até mesmo o local em que se vive pode fazer diferença nos gastos. Cidades menores costumam ter menor custo e oferecer maior qualidade de vida.

    Avalie a possibilidade de vender um imóvel de lazer e colocar o dinheiro em uma aplicação que gere renda para complementar os ganhos mensais. Outra opção muito em alta é estudar um retorno ao mercado de trabalho. Profissões como tutor, consultor ou autônomo proporcionam ritmo mais flexível e a possibilidade de aproveitar o conhecimento e a experiência acumulados ao longo dos anos. Lembre-se que, além da saúde física e mental, os aposentados precisam cuidar muito da própria saúde financeira. Afinal, tudo que se quer é aproveitar essa fase da vida com tranquilidade e paz de espírito.

    Jurandir Sell Macedo

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